{"id":2099,"date":"2025-01-02T14:13:00","date_gmt":"2025-01-02T17:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/?p=2099"},"modified":"2025-01-03T20:28:20","modified_gmt":"2025-01-03T23:28:20","slug":"revoltas-nativistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/revoltas-nativistas\/","title":{"rendered":"Resenha: Revoltas Nativistas e Conjura\u00e7\u00f5es do Brasil Colonial"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"post-modified-info\">Atualiza\u00e7\u00e3o do texto originalmente publicado em 21 de Outubro de 2019 por <a href=\"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/author\/jason-gunner\/\" target=\"_blank\" class=\"last-modified-author\">Jason Guedes<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><button id=\"listenButton1\" class=\"responsivevoice-button\" type=\"button\" value=\"Play\" title=\"ResponsiveVoice Tap to Start\/Stop Speech\"><span>&#128266; Ouvir o artigo<\/span><\/button>\n        <script>\n            listenButton1.onclick = function(){\n                if(responsiveVoice.isPlaying()){\n                    responsiveVoice.cancel();\n                }else{\n                    responsiveVoice.speak(\"Atualiza\u00e7\u00e3o do texto originalmente publicado em 21 de Outubro de 2019 por Jason Guedes \u00cdndicePrincipais Revoltas Coloniais no Brasil (S\u00e9culos XVII e XVIII)Aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno: S\u00e3o Vicente (S\u00e3o Paulo) - 1641Revolta de Beckman: Maranh\u00e3o (S\u00e3o Lu\u00eds) \u2013 1684Guerra dos Emboabas: Minas Geraes - 1707\/1709Guerra dos Mascates: Pernambuco (Olinda\/Recife) \u2013 1710\/1711Revolta de Filipe dos Santos: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1720Conjura\u00e7\u00e3o Mineira: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1789Conjura\u00e7\u00e3o Baiana: Bahia (Salvador) - 1798-1799Quest\u00f5es de Vestibulares Principais Revoltas Coloniais no Brasil (S\u00e9culos XVII e XVIII) Durante os s\u00e9culos XVII e XVIII, o Brasil foi palco de diversas revoltas coloniais contra o modelo imposto pela metr\u00f3pole portuguesa. Entre os movimentos, destacam-se cinco revoltas de m\u00e9dio porte e duas grandes rebeli\u00f5es, cada uma com suas caracter\u00edsticas e motiva\u00e7\u00f5es. Aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno (1641) S\u00e3o Paulo A revolta ocorreu devido \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ind\u00edgena pelo rei Jo\u00e3o IV, o que impactou diretamente os interesses dos fazendeiros e bandeirantes paulistas. A insatisfa\u00e7\u00e3o culminou na aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno como \\\"Rei de S\u00e3o Paulo\\\", mas ele recusou o t\u00edtulo, permanecendo fiel \u00e0 Coroa Portuguesa. Revolta dos Beckman (1684) Maranh\u00e3o Liderada pelos irm\u00e3os Manuel e Tom\u00e1s Beckman, a revolta teve como principais motiva\u00e7\u00f5es o monop\u00f3lio comercial da Companhia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o e a proibi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ind\u00edgena. Apesar de derrotados, os irm\u00e3os Beckman conseguiram a extin\u00e7\u00e3o da companhia comercial em 1685. Guerra dos Emboabas (1707-1709) S\u00e3o Paulo\/Minas Gerais O conflito entre bandeirantes paulistas e \\\"emboabas\\\" (forasteiros) pela explora\u00e7\u00e3o de minas resultou na interven\u00e7\u00e3o da Coroa Portuguesa, que estabeleceu a livre prospec\u00e7\u00e3o de ouro e criou a Capitania de Minas Gerais. Guerra dos Mascates (1710-1711) Olinda\/Recife Este movimento foi marcado pelo confronto entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes de Recife, chamados \\\"mascates\\\". A emancipa\u00e7\u00e3o de Recife como vila gerou conflitos violentos, encerrados pela interven\u00e7\u00e3o da Coroa. Revolta de Filipe dos Santos (1720) Minas Gerais Liderada por Filipe dos Santos, a revolta teve como alvo a cria\u00e7\u00e3o das Casas de Fundi\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre a minera\u00e7\u00e3o. O movimento foi brutalmente reprimido, culminando na execu\u00e7\u00e3o de Filipe dos Santos. Conjura\u00e7\u00e3o Mineira (1789) Minas Gerais Inspirada pelo iluminismo e pela Independ\u00eancia dos EUA, a revolta tinha como objetivo a independ\u00eancia da regi\u00e3o mineradora. A conspira\u00e7\u00e3o foi descoberta e reprimida devido \u00e0 trai\u00e7\u00e3o de Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis. Tiradentes, seu principal m\u00e1rtir, foi executado. Conjura\u00e7\u00e3o Baiana (1798-1799) Bahia Com grande participa\u00e7\u00e3o popular, o movimento visava \u00e0 independ\u00eancia da Bahia, a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e o estabelecimento de uma rep\u00fablica democr\u00e1tica. A revolta foi reprimida de forma violenta, com penas severas para os envolvidos. Aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno: S\u00e3o Vicente (S\u00e3o Paulo) - 1641 Durante a Uni\u00e3o Ib\u00e9rica (1580-1640), os holandeses al\u00e9m de invadirem o nordeste brasileiro (1630-1654), ocuparam na \u00c1frica importantes feitorias portuguesas que forneciam escravos ao Brasil. Enquanto os fazendeiros nordestinos tinham o fornecimento garantido pelos holandeses, a Capitania de S\u00e3o Vicente sofria com o desabastecimento de escravos africanos. Com isso, os fazendeiros e bandeirantes paulistas fizeram da escravid\u00e3o ind\u00edgena seu grande neg\u00f3cio, os \u00edndios capturados em miss\u00f5es jesu\u00edticas, al\u00e9m de servirem \u00e0s fazendas paulistas, eram vendidos nas proximidades de Buenos Aires. Vale lembrar que a Espanha mantinha escravos ind\u00edgenas desde o princ\u00edpio da coloniza\u00e7\u00e3o, principalmente nas regi\u00f5es das antigas civiliza\u00e7\u00f5es Inca e Asteca. E com a Uni\u00e3o das duas coroas ib\u00e9ricas o Tratado de Tordesilhas tornou-se obsoleto, sendo assim a escravid\u00e3o e o com\u00e9rcio de ind\u00edgenas era permitido entre as col\u00f4nias do reino. Mas, O lucrativo com\u00e9rcio de \u00edndios escravizados entre a Capitania de S\u00e3o Vicente e Buenos Aires foi interrompido com a restaura\u00e7\u00e3o do Trono Portugu\u00eas. Buscando ampliar o com\u00e9rcio atl\u00e2ntico de escravos africanos, que gerava muitos lucros a Portugal, o rei Jo\u00e3o I decretou a proibi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ind\u00edgena na col\u00f4nia. Essa foi a causa principal do movimento. Fazendeiros e bandeirantes iniciaram a revolta em S\u00e3o Vicente com a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas, contr\u00e1rios \u00e0 escravid\u00e3o ind\u00edgena. Depois aclamaram o rico fazendeiro Amador Bueno como Rei de S\u00e3o Paulo, buscando o rompimento com Portugal e com a Dinastia de Bragan\u00e7a. Por\u00e9m, Amador Bueno era o Capit\u00e3o-mor do Reino de Portugal e manteve sua fidelidade ao rei e \u00e0 metr\u00f3pole, chegando a ser perseguido pelos insurgentes, que em pouco tempo se dispersaram, provocando o fim do movimento. Revolta de Beckman: Maranh\u00e3o (S\u00e3o Lu\u00eds) \u2013 1684 Foi um movimento das elites agr\u00e1rias locais, lideradas pelos irm\u00e3os Manuel e Tom\u00e1s Beckman. As insatisfa\u00e7\u00f5es desses donos de terras e de escravos tinham tr\u00eas causas principais: A Companhia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o: criada em 1682, tinha o monop\u00f3lio sobre o com\u00e9rcio na regi\u00e3o, atribuindo pre\u00e7os muito baixos aos produtos locais (a\u00e7\u00facar e algod\u00e3o) e cobrando pre\u00e7os alt\u00edssimos pelos produtos que vendia \u00e0 elite local, principalmente escravos; A proibi\u00e7\u00e3o da \u201cprea\u00e7\u00e3o\u201d ind\u00edgena em miss\u00f5es jesu\u00edticas a partir de 1680, dificultando a aquisi\u00e7\u00e3o de escravos pelos fazendeiros da regi\u00e3o; A Companhia de Jesus, pela oposi\u00e7\u00e3o dos jesu\u00edtas \u00e0 escravid\u00e3o ind\u00edgena, defendendo a catequese no lugar da escravid\u00e3o. Os irm\u00e3os Beckman tomaram o governo local, expulsaram os padres do Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas e a companhia comercial. Procurando evitar retalia\u00e7\u00f5es da metr\u00f3pole, Tom\u00e1s Beckman foi a Portugal para convencer o Rei dos abusos da companhia comercial, mas foi preso e degredado. Tropas portuguesas lideradas pelo novo governador Gomes Freire de Andrade retomaram o governo maranhense e Manuel Beckman foi executado. Mas mesmo com a derrota do movimento, ocorreu em 1685 a extin\u00e7\u00e3o da Companhia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o. N\u00e3o resta outra coisa sen\u00e3o cada um defender-se por si mesmo; duas coisas s\u00e3o necess\u00e1rias: revoga\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios e a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas, a fim de se recuperar a m\u00e3o livre no que diz respeito ao comercio e aos \u00edndios. - Manuel Beckman - Guerra dos Emboabas: Minas Geraes - 1707\/1709 Foi um conflito entre bandeirantes paulistas e emboabas, pelas \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o rec\u00e9m descobertas em Minas Geraes. Os forasteiros, vindos de diversos pontos da col\u00f4nia e de Portugal, receberam o apelido pejorativo de emboabas, que significa \u201caves de p\u00e9s emplumados\u201d em tupi, pois precisavam se proteger com cal\u00e7as grossas, botas pesadas e eram mais lentos nos deslocamentos na mata do que os paulistas. Liderados por Borba Gato, os bandeirantes paulistas, descobridores das primeiras minas na regi\u00e3o, exigiam a exclusividade sobre a prospec\u00e7\u00e3o e a extra\u00e7\u00e3o de ouro. J\u00e1 os emboabas, liderados por Manuel Nunes Viana, praticavam o com\u00e9rcio na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m queriam garimpar, defendendo a livre prospec\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de ouro. Conflitos sangrentos foram travados e os paulistas foram derrotados pelos emboabas. O epis\u00f3dio mais sangrento foi o \u201cCap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o\u201d, no qual os paulistas foram rendidos e massacrados pelos emboabas, mesmo ap\u00f3s um acordo de tr\u00e9gua. O conflito terminou com a interven\u00e7\u00e3o da Coroa, que passou a exercer um controle fiscal efetivo sobre a minera\u00e7\u00e3o, estabelecendo a livre prospec\u00e7\u00e3o de ouro em Minas Gerais. Interessado em resolver a situa\u00e7\u00e3o que prejudicou o trabalho nas minas e desejando que os paulistas continuassem a procurar novas \u00e1reas mineradoras, o governo portugu\u00eas concedeu anistia a todos os envolvidos no conflito e criou a capitania das Minas Gerais, com capital na Vila Rica de Ouro Preto. Sua inten\u00e7\u00e3o era separar a regi\u00e3o das minas da capitania de S\u00e3o Paulo e se livrar da concorr\u00eancia dos paulistas. Guerra dos Mascates: Pernambuco (Olinda\/Recife) \u2013 1710\/1711 A decad\u00eancia de Olinda, causada pela crise do a\u00e7\u00facar, contrastava com o crescimento comercial de Recife, uma freguesia de Olinda. Essa situa\u00e7\u00e3o levou a Coroa a emancipar Recife de Olinda, provocando a rea\u00e7\u00e3o dos senhores de engenho olindenses, que n\u00e3o queriam perder a sua principal fonte de arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Esses fazendeiros invadiram Recife, derrubaram o Pelourinho, tomaram a Casa de C\u00e2mara e Cadeia (um edif\u00edcio central da administra\u00e7\u00e3o colonial), soltaram os presos e rasgaram a carta r\u00e9gia que emancipava Recife. Os comerciantes de Recife, chamados de \u201cmascates\u201d, reagiram incendiando engenhos e vilarejos de Olinda. O conflito foi sufocado pela interven\u00e7\u00e3o da Coroa, que manteve a autonomia de Recife. Revolta de Filipe dos Santos: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1720 Foi um movimento de comerciantes e mineradores de Vila Rica contra os estancos (monop\u00f3lios) no com\u00e9rcio local e a instala\u00e7\u00e3o da Casa de Fundi\u00e7\u00e3o, que passava a recolher o Quinto com mais rigor, proibindo a circula\u00e7\u00e3o de ouro em p\u00f3 ou em pepitas, al\u00e9m de punir o contrabando de ouro com pena de degredo na \u00c1frica. O movimento foi liderado pelo tropeiro Filipe dos Santos, sendo derrotado pelas tropas comandadas pelo Conde de Assumar, governador da capitania. Casas foram incendiadas e Filipe dos Santos foi condenado \u00e0 morte na forca, sendo depois esquartejado. Conjura\u00e7\u00e3o Mineira: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1789 A elite mineradora da capitania de Minas Geraes se mostrava insatisfeita com os impostos coloniais, a partir desse descontentamento, propriet\u00e1rios rurais, cl\u00e9rigos, militares e intelectuais passaram a se reunir para conspirar contra o poder metropolitano na prov\u00edncia, almejando a separa\u00e7\u00e3o e sua consequente autonomia. \u00c9 importante salientar que o movimento n\u00e3o pretendia a independ\u00eancia de todo o Brasil, mas apenas de sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Inspirados pelos ideais iluministas da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789) e da Independ\u00eancia dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (1776), os conjurados pretendiam a instala\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica. Com ideal de \u201cLiberdade ainda que tardia\u201d estampado na bandeira que hoje \u00e9 a do Estado de Minas Gerais com os dizeres em latim \u201cLibertas Quae Sera Tamen\u201d, os separatistas marcaram a Hist\u00f3ria do Brasil Col\u00f4nia e muitos dos seus l\u00edderes como o C\u00f4nego Lu\u00eds Vieira da Silva; Os poetas Cl\u00e1udio Manoel da Costa e Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga; e o alferes Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes, s\u00e3o lembrados como s\u00edmbolos e her\u00f3is da luta da independ\u00eancia do Brasil. O temo Conjura\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais aceito hoje, devido a uma revis\u00e3o historiogr\u00e1fica, que entende que o termo inconfid\u00eancia foi cunhado pela coroa portuguesa para designar aqueles que foram infi\u00e9is ao Estado, enquanto conjura\u00e7\u00e3o denota uma conspira\u00e7\u00e3o contra o governo, ressaltando o car\u00e1ter pol\u00edtico do movimento. O movimento foi recha\u00e7ado pelas for\u00e7as da coroa, devido a trai\u00e7\u00e3o de Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis, que entregou os conjurados em troca do perd\u00e3o de d\u00edvidas com o governo portugu\u00eas. Os principais l\u00edderes do movimento foram presos e julgados, sendo que, Cl\u00e1udio Manoel da Costa morreu ainda na pris\u00e3o antes do julgamento, alguns historiadores defendem a tese de que ele foi assassinado. Os demais no inqu\u00e9rito judicial negaram sua participa\u00e7\u00e3o no movimento, com exce\u00e7\u00e3o de Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes, que ao assumir a responsabilidade foi condenado \u00e0 forca e logo ap\u00f3s foi esquartejado. Partes do seu corpo mutilado foram expostos em locais p\u00fablicos. Os cl\u00e9rigos foram enviados a conventos em Portugal, os demais condenados foram remetidos a col\u00f4nias portuguesas no continente africano. Conjura\u00e7\u00e3o Baiana: Bahia (Salvador) - 1798-1799 A Conjura\u00e7\u00e3o Baiana \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como Revolta dos Alfaiates, devido a participa\u00e7\u00e3o de pessoas desse of\u00edcio no movimento. Diferente da Conjura\u00e7\u00e3o Mineira esse movimento tinha grande participa\u00e7\u00e3o popular de alfaiates, sapateiros, estivadores, escravos e ex-escravos, que defendiam al\u00e9m da independ\u00eancia da Bahia, um governo republicano eleito democraticamente, o livre-com\u00e9rcio que poria fim no monop\u00f3lio comercial dos portugueses e o fim da escravid\u00e3o. Assim como em Minas Gerais, os conjurados baianos estavam insatisfeitos com a administra\u00e7\u00e3o portuguesa, a situa\u00e7\u00e3o teria piorado ap\u00f3s a transfer\u00eancia da capital da col\u00f4nia de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763.Sua principal lideran\u00e7a intelectual foi Cipriano Barata, conhecido como m\u00e9dico dos pobres. Dentre suas ideias destaca-se o ideal de igualdade proveniente do iluminismo, mas que abarcava todos os setores da sociedade, incluindo a liberdade dos escravos, ideal esse que tinha influ\u00eancia da Independ\u00eancia do Haiti. O movimento baiano sofreu repress\u00e3o ap\u00f3s a distribui\u00e7\u00e3o de panfletos por toda a cidade, que alertaram as autoridades sobre o movimento conspiracionista. Com a pris\u00e3o e interroga\u00e7\u00e3o de alguns conjurados, as lideran\u00e7as foram delatadas e passaram a responder judicialmente. Quatro membros foram condenados \u00e0 morte em pra\u00e7a p\u00fablica, s\u00e3o eles: o soldado Lucas Dantas do Amorim Torres, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira, o soldado Luiz Gonzaga das Virgens e o mestre de alfaiate Jo\u00e3o de Deus do Nascimento. As cabe\u00e7as dos condenados foram expostas em pontos estrat\u00e9gicos da cidade para que a popula\u00e7\u00e3o soubesse o que havia ocorrido. Alguns dos demais condenados receberam 500 chibatas no Pelourinho, entre eles escravos e militares mulatos. Outros foram extraditados para a costa africana ocidental fora dos dom\u00ednios portugueses. Cipriano Barata ficou preso por dois anos, sendo solto em janeiro de 1800. As condena\u00e7\u00f5es foram muito mais r\u00edgidas do que as instauradas aos conjurados de Minas Gerais, pode-se explicar isso ao car\u00e1ter popular e de maior enfrentamento ao sistema escravista que a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana teve, sendo considerada muito mais perigosa para o status quo. Foi uma das mais importantes revoltas coloniais no Brasil. Quest\u00f5es de Vestibulares [ays_quiz id=\\'2\\'] Saiba Mais\", \"Brazilian Portuguese Female\");\n                }\n            };\n        <\/script>\n    \n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-rank-math-toc-block\" id=\"rank-math-toc\"><h2>\u00cdndice<\/h2><nav><ul><li class=\"\"><a href=\"#principais-revoltas-coloniais-no-brasil-seculos-xvii-e-xviii\">Principais Revoltas Coloniais no Brasil (S\u00e9culos XVII e XVIII)<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#aclamacao-de-amador-bueno-sao-vicente-sao-paulo-1641\">Aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno: S\u00e3o Vicente (S\u00e3o Paulo) &#8211; 1641<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#revolta-de-beckman-maranhao-sao-luis-1684\">Revolta de Beckman: Maranh\u00e3o (S\u00e3o Lu\u00eds) \u2013 1684<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#guerra-dos-emboabas-minas-geraes-1707-1709\">Guerra dos Emboabas: Minas Geraes &#8211; 1707\/1709<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#guerra-dos-mascates-pernambuco-olinda-recife-1710-1711\">Guerra dos Mascates: Pernambuco (Olinda\/Recife) \u2013 1710\/1711<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#revolta-de-filipe-dos-santos-minas-geraes-vila-rica-1720\">Revolta de Filipe dos Santos: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1720<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#conjuracao-mineira-minas-geraes-vila-rica-1789\">Conjura\u00e7\u00e3o Mineira: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1789<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#conjuracao-baiana-bahia-salvador-1798-1799\">Conjura\u00e7\u00e3o Baiana: Bahia (Salvador) &#8211; 1798-1799<\/a><\/li><li class=\"\"><a href=\"#questoes-de-vestibulares\">Quest\u00f5es de Vestibulares<\/a><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"principais-revoltas-coloniais-no-brasil-seculos-xvii-e-xviii\">Principais Revoltas Coloniais no Brasil (S\u00e9culos XVII e XVIII)<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante os s\u00e9culos XVII e XVIII, o Brasil foi palco de diversas revoltas coloniais contra o modelo imposto pela metr\u00f3pole portuguesa. Entre os movimentos, destacam-se cinco revoltas de m\u00e9dio porte e duas grandes rebeli\u00f5es, cada uma com suas caracter\u00edsticas e motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno (1641)<\/strong> <strong>S\u00e3o Paulo<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A revolta ocorreu devido \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ind\u00edgena pelo rei Jo\u00e3o IV, o que impactou diretamente os interesses dos fazendeiros e bandeirantes paulistas. A insatisfa\u00e7\u00e3o culminou na aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno como &#8220;Rei de S\u00e3o Paulo&#8221;, mas ele recusou o t\u00edtulo, permanecendo fiel \u00e0 Coroa Portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Revolta dos Beckman (1684)<\/strong> Maranh\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Liderada pelos irm\u00e3os Manuel e Tom\u00e1s Beckman, a revolta teve como principais motiva\u00e7\u00f5es o monop\u00f3lio comercial da Companhia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o e a proibi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ind\u00edgena. Apesar de derrotados, os irm\u00e3os Beckman conseguiram a extin\u00e7\u00e3o da companhia comercial em 1685.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Guerra dos Emboabas (1707-1709)<\/strong> S\u00e3o Paulo\/Minas Gerais<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O conflito entre bandeirantes paulistas e &#8220;emboabas&#8221; (forasteiros) pela explora\u00e7\u00e3o de minas resultou na interven\u00e7\u00e3o da Coroa Portuguesa, que estabeleceu a livre prospec\u00e7\u00e3o de ouro e criou a Capitania de Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Guerra dos Mascates (1710-1711)<\/strong> Olinda\/Recife<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Este movimento foi marcado pelo confronto entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes de Recife, chamados &#8220;mascates&#8221;. A emancipa\u00e7\u00e3o de Recife como vila gerou conflitos violentos, encerrados pela interven\u00e7\u00e3o da Coroa.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Revolta de Filipe dos Santos (1720)<\/strong> Minas Gerais<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Liderada por Filipe dos Santos, a revolta teve como alvo a cria\u00e7\u00e3o das Casas de Fundi\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre a minera\u00e7\u00e3o. O movimento foi brutalmente reprimido, culminando na execu\u00e7\u00e3o de Filipe dos Santos.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Conjura\u00e7\u00e3o Mineira (1789)<\/strong> Minas Gerais<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Inspirada pelo iluminismo e pela Independ\u00eancia dos EUA, a revolta tinha como objetivo a independ\u00eancia da regi\u00e3o mineradora. A conspira\u00e7\u00e3o foi descoberta e reprimida devido \u00e0 trai\u00e7\u00e3o de Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis. Tiradentes, seu principal m\u00e1rtir, foi executado.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Conjura\u00e7\u00e3o Baiana (1798-1799)<\/strong> Bahia<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Com grande participa\u00e7\u00e3o popular, o movimento visava \u00e0 independ\u00eancia da Bahia, a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e o estabelecimento de uma rep\u00fablica democr\u00e1tica. A revolta foi reprimida de forma violenta, com penas severas para os envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cursos.historiaestudio.com.br\/combos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"108\" src=\"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-1024x108.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1119\" srcset=\"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-1024x108.png 1024w, https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-300x32.png 300w, https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-768x81.png 768w, https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM.png 1467w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"aclamacao-de-amador-bueno-sao-vicente-sao-paulo-1641\">Aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno: S\u00e3o Vicente (S\u00e3o Paulo) &#8211; 1641<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante a Uni\u00e3o Ib\u00e9rica (1580-1640), os holandeses al\u00e9m de invadirem o nordeste brasileiro (1630-1654), ocuparam na \u00c1frica importantes feitorias portuguesas que forneciam escravos ao Brasil. Enquanto os fazendeiros nordestinos tinham o fornecimento garantido pelos holandeses, a Capitania de S\u00e3o Vicente sofria com o desabastecimento de escravos africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, os fazendeiros e bandeirantes paulistas fizeram da escravid\u00e3o ind\u00edgena seu grande neg\u00f3cio, os \u00edndios capturados em miss\u00f5es jesu\u00edticas, al\u00e9m de servirem \u00e0s fazendas paulistas, eram vendidos nas proximidades de Buenos Aires.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que a Espanha mantinha escravos ind\u00edgenas desde o princ\u00edpio da coloniza\u00e7\u00e3o, principalmente nas regi\u00f5es das antigas civiliza\u00e7\u00f5es Inca e Asteca. E com a Uni\u00e3o das duas coroas ib\u00e9ricas o Tratado de Tordesilhas tornou-se obsoleto, sendo assim a escravid\u00e3o e o com\u00e9rcio de ind\u00edgenas era permitido entre as col\u00f4nias do reino.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, O lucrativo com\u00e9rcio de \u00edndios escravizados entre a Capitania de S\u00e3o Vicente e Buenos Aires foi interrompido com a restaura\u00e7\u00e3o do Trono Portugu\u00eas. Buscando ampliar o com\u00e9rcio atl\u00e2ntico de escravos africanos, que gerava muitos lucros a Portugal, o rei Jo\u00e3o I decretou a proibi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ind\u00edgena na col\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a causa principal do movimento. Fazendeiros e bandeirantes iniciaram a revolta em S\u00e3o Vicente com a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas, contr\u00e1rios \u00e0 escravid\u00e3o ind\u00edgena. Depois aclamaram o rico fazendeiro Amador Bueno como Rei de S\u00e3o Paulo, buscando o rompimento com Portugal e com a Dinastia de Bragan\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, Amador Bueno era o Capit\u00e3o-mor do Reino de Portugal e manteve sua fidelidade ao rei e \u00e0 metr\u00f3pole, chegando a ser perseguido pelos insurgentes, que em pouco tempo se dispersaram, provocando o fim do movimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"revolta-de-beckman-maranhao-sao-luis-1684\">Revolta de Beckman: Maranh\u00e3o (S\u00e3o Lu\u00eds) \u2013 1684<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi um movimento das elites agr\u00e1rias locais, lideradas pelos irm\u00e3os Manuel e Tom\u00e1s Beckman. As insatisfa\u00e7\u00f5es desses donos de terras e de escravos tinham tr\u00eas causas principais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A Companhia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o: criada em 1682, tinha o monop\u00f3lio sobre o com\u00e9rcio na regi\u00e3o, atribuindo pre\u00e7os muito baixos aos produtos locais (a\u00e7\u00facar e algod\u00e3o) e cobrando pre\u00e7os alt\u00edssimos pelos produtos que vendia \u00e0 elite local, principalmente escravos;<\/li>\n\n\n\n<li>A proibi\u00e7\u00e3o da \u201cprea\u00e7\u00e3o\u201d ind\u00edgena em miss\u00f5es jesu\u00edticas a partir de 1680, dificultando a aquisi\u00e7\u00e3o de escravos pelos fazendeiros da regi\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>A Companhia de Jesus, pela oposi\u00e7\u00e3o dos jesu\u00edtas \u00e0 escravid\u00e3o ind\u00edgena, defendendo a catequese no lugar da escravid\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os irm\u00e3os Beckman tomaram o governo local, expulsaram os padres do Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas e a companhia comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurando evitar retalia\u00e7\u00f5es da metr\u00f3pole, Tom\u00e1s Beckman foi a Portugal para convencer o Rei dos abusos da companhia comercial, mas foi preso e degredado. Tropas portuguesas lideradas pelo novo governador Gomes Freire de Andrade retomaram o governo maranhense e Manuel Beckman foi executado. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo com a derrota do movimento, ocorreu em 1685 a extin\u00e7\u00e3o da Companhia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o resta outra coisa sen\u00e3o cada um defender-se por si mesmo; duas coisas s\u00e3o necess\u00e1rias: revoga\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios e a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas, a fim de se recuperar a m\u00e3o livre no que diz respeito ao comercio e aos \u00edndios. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-right\">&#8211; Manuel Beckman &#8211;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"guerra-dos-emboabas-minas-geraes-1707-1709\">Guerra dos Emboabas: Minas Geraes &#8211; 1707\/1709<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi um conflito entre bandeirantes paulistas e emboabas, pelas \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o rec\u00e9m descobertas em Minas Geraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os forasteiros, vindos de diversos pontos da col\u00f4nia e de Portugal, receberam o apelido pejorativo de emboabas, que significa \u201caves de p\u00e9s emplumados\u201d em tupi, pois precisavam se proteger com cal\u00e7as grossas, botas pesadas e eram mais lentos nos deslocamentos na mata do que os paulistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Liderados por Borba Gato, os bandeirantes paulistas, descobridores das primeiras minas na regi\u00e3o, exigiam a exclusividade sobre a prospec\u00e7\u00e3o e a extra\u00e7\u00e3o de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os emboabas, liderados por Manuel Nunes Viana, praticavam o com\u00e9rcio na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m queriam garimpar, defendendo a livre prospec\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>Conflitos sangrentos foram travados e os paulistas foram derrotados pelos emboabas. O epis\u00f3dio mais sangrento foi o \u201cCap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o\u201d, no qual os paulistas foram rendidos e massacrados pelos emboabas, mesmo ap\u00f3s um acordo de tr\u00e9gua.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito terminou com a interven\u00e7\u00e3o da Coroa, que passou a exercer um controle fiscal efetivo sobre a minera\u00e7\u00e3o, estabelecendo a livre prospec\u00e7\u00e3o de ouro em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessado em resolver a situa\u00e7\u00e3o que prejudicou o trabalho nas minas e desejando que os paulistas continuassem a procurar novas \u00e1reas mineradoras, o governo portugu\u00eas concedeu anistia a todos os envolvidos no conflito e criou a capitania das Minas Gerais, com capital na Vila Rica de Ouro Preto. Sua inten\u00e7\u00e3o era separar a regi\u00e3o das minas da capitania de S\u00e3o Paulo e se livrar da concorr\u00eancia dos paulistas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"guerra-dos-mascates-pernambuco-olinda-recife-1710-1711\">Guerra dos Mascates: Pernambuco (Olinda\/Recife) \u2013 1710\/1711<\/h2>\n\n\n\n<p>A decad\u00eancia de Olinda, causada pela crise do a\u00e7\u00facar, contrastava com o crescimento comercial de Recife, uma freguesia de Olinda. Essa situa\u00e7\u00e3o levou a Coroa a emancipar Recife de Olinda, provocando a rea\u00e7\u00e3o dos senhores de engenho olindenses, que n\u00e3o queriam perder a sua principal fonte de arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses fazendeiros invadiram Recife, derrubaram o Pelourinho, tomaram a Casa de C\u00e2mara e Cadeia (um edif\u00edcio central da administra\u00e7\u00e3o colonial), soltaram os presos e rasgaram a carta r\u00e9gia que emancipava Recife.<\/p>\n\n\n\n<p>Os comerciantes de Recife, chamados de \u201cmascates\u201d, reagiram incendiando engenhos e vilarejos de Olinda. O conflito foi sufocado pela interven\u00e7\u00e3o da Coroa, que manteve a autonomia de Recife.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"revolta-de-filipe-dos-santos-minas-geraes-vila-rica-1720\">Revolta de Filipe dos Santos: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1720<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi um movimento de comerciantes e mineradores de Vila Rica contra os estancos (monop\u00f3lios) no com\u00e9rcio local e a instala\u00e7\u00e3o da Casa de Fundi\u00e7\u00e3o, que passava a recolher o Quinto com mais rigor, proibindo a circula\u00e7\u00e3o de ouro em p\u00f3 ou em pepitas, al\u00e9m de punir o contrabando de ouro com pena de degredo na \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento foi liderado pelo tropeiro Filipe dos Santos, sendo derrotado pelas tropas comandadas pelo Conde de Assumar, governador da capitania. Casas foram incendiadas e Filipe dos Santos foi condenado \u00e0 morte na forca, sendo depois esquartejado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cursos.historiaestudio.com.br\/combos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"108\" src=\"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-1024x108.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1119\" srcset=\"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-1024x108.png 1024w, https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-300x32.png 300w, https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM-768x81.png 768w, https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Banner-HE2-Curso-ENEM.png 1467w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"conjuracao-mineira-minas-geraes-vila-rica-1789\">Conjura\u00e7\u00e3o Mineira: Minas Geraes (Vila Rica) \u2013 1789<\/h2>\n\n\n\n<p>A elite mineradora da capitania de Minas Geraes se mostrava insatisfeita com os impostos coloniais, a partir desse descontentamento, propriet\u00e1rios rurais, cl\u00e9rigos, militares e intelectuais passaram a se reunir para conspirar contra o poder metropolitano na prov\u00edncia, almejando a separa\u00e7\u00e3o e sua consequente autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante salientar que o movimento n\u00e3o pretendia a independ\u00eancia de todo o Brasil, mas apenas de sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Inspirados pelos ideais iluministas da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789) e da Independ\u00eancia dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (1776), os conjurados pretendiam a instala\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com ideal de \u201cLiberdade ainda que tardia\u201d estampado na bandeira que hoje \u00e9 a do Estado de Minas Gerais com os dizeres em latim \u201cLibertas Quae Sera Tamen\u201d, os separatistas marcaram a Hist\u00f3ria do Brasil Col\u00f4nia e muitos dos seus l\u00edderes como o C\u00f4nego Lu\u00eds Vieira da Silva; Os poetas Cl\u00e1udio Manoel da Costa e Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga; e o alferes Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes, s\u00e3o lembrados como s\u00edmbolos e her\u00f3is da luta da independ\u00eancia do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O temo Conjura\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais aceito hoje, devido a uma revis\u00e3o historiogr\u00e1fica, que entende que o termo inconfid\u00eancia foi cunhado pela coroa portuguesa para designar aqueles que foram infi\u00e9is ao Estado, enquanto conjura\u00e7\u00e3o denota uma conspira\u00e7\u00e3o contra o governo, ressaltando o car\u00e1ter pol\u00edtico do movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento foi recha\u00e7ado pelas for\u00e7as da coroa, devido a trai\u00e7\u00e3o de Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis, que entregou os conjurados em troca do perd\u00e3o de d\u00edvidas com o governo portugu\u00eas. Os principais l\u00edderes do movimento foram presos e julgados, sendo que, Cl\u00e1udio Manoel da Costa morreu ainda na pris\u00e3o antes do julgamento, alguns historiadores defendem a tese de que ele foi assassinado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os demais no inqu\u00e9rito judicial negaram sua participa\u00e7\u00e3o no movimento, com exce\u00e7\u00e3o de Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes, que ao assumir a responsabilidade foi condenado \u00e0 forca e logo ap\u00f3s foi esquartejado. Partes do seu corpo mutilado foram expostos em locais p\u00fablicos. Os cl\u00e9rigos foram enviados a conventos em Portugal, os demais condenados foram remetidos a col\u00f4nias portuguesas no continente africano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"conjuracao-baiana-bahia-salvador-1798-1799\">Conjura\u00e7\u00e3o Baiana: Bahia (Salvador) &#8211; 1798-1799<\/h2>\n\n\n\n<p>A Conjura\u00e7\u00e3o Baiana \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como Revolta dos Alfaiates, devido a participa\u00e7\u00e3o de pessoas desse of\u00edcio no movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente da Conjura\u00e7\u00e3o Mineira esse movimento tinha grande participa\u00e7\u00e3o popular de alfaiates, sapateiros, estivadores, escravos e ex-escravos, que defendiam al\u00e9m da independ\u00eancia da Bahia, um governo republicano eleito democraticamente, o livre-com\u00e9rcio que poria fim no monop\u00f3lio comercial dos portugueses e o fim da escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como em Minas Gerais, os conjurados baianos estavam insatisfeitos com a administra\u00e7\u00e3o portuguesa, a situa\u00e7\u00e3o teria piorado ap\u00f3s a transfer\u00eancia da capital da col\u00f4nia de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763.Sua principal lideran\u00e7a intelectual foi Cipriano Barata, conhecido como m\u00e9dico dos pobres. Dentre suas ideias destaca-se o ideal de igualdade proveniente do iluminismo, mas que abarcava todos os setores da sociedade, incluindo a liberdade dos escravos, ideal esse que tinha influ\u00eancia da Independ\u00eancia do Haiti.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento baiano sofreu repress\u00e3o ap\u00f3s a distribui\u00e7\u00e3o de panfletos por toda a cidade, que alertaram as autoridades sobre o movimento conspiracionista. Com a pris\u00e3o e interroga\u00e7\u00e3o de alguns conjurados, as lideran\u00e7as foram delatadas e passaram a responder judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro membros foram condenados \u00e0 morte em pra\u00e7a p\u00fablica, s\u00e3o eles: o soldado Lucas Dantas do Amorim Torres, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira, o soldado Luiz Gonzaga das Virgens e o mestre de alfaiate Jo\u00e3o de Deus do Nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>As cabe\u00e7as dos condenados foram expostas em pontos estrat\u00e9gicos da cidade para que a popula\u00e7\u00e3o soubesse o que havia ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos demais condenados receberam 500 chibatas no Pelourinho, entre eles escravos e militares mulatos. Outros foram extraditados para a costa africana ocidental fora dos dom\u00ednios portugueses. Cipriano Barata ficou preso por dois anos, sendo solto em janeiro de 1800.<\/p>\n\n\n\n<p>As condena\u00e7\u00f5es foram muito mais r\u00edgidas do que as instauradas aos conjurados de Minas Gerais, pode-se explicar isso ao car\u00e1ter popular e de maior enfrentamento ao sistema escravista que a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana teve, sendo considerada muito mais perigosa para o status quo. Foi uma das mais importantes revoltas coloniais no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"questoes-de-vestibulares\"><strong>Quest\u00f5es de Vestibulares<\/strong><\/h2>\n\n\n<p>[ays_quiz id=&#8217;2&#8242;]<\/p>\n\n\n<p><script src=\"https:\/\/code.responsivevoice.org\/responsivevoice.js?key=mPKEcA1a\"><\/script><\/p>\n\n\n<p><script src=\"https:\/\/code.responsivevoice.org\/responsivevoice.js?key=mPKEcA1a\"><\/script><\/p>\n\n\n\n<center><a title=\"&#039;Saiba\" href=\"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/noticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saiba Mais<\/a><\/center>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante os s\u00e9culos XVII e XVIII, o Brasil foi palco de diversas revoltas coloniais contra o modelo imposto pela metr\u00f3pole portuguesa. Entre os movimentos, destacam-se cinco revoltas de m\u00e9dio porte e duas grandes rebeli\u00f5es, cada uma com suas caracter\u00edsticas e motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34,85],"tags":[],"class_list":["post-2099","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-do-brasil","category-resenhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2099","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2099\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ojoaosanti.com\/bloghistoria\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}